Como fazer marketing local no restaurante e gerar fluxo quando o ponto não ajuda

A história do franqueado que tinha um ponto que não pagava o aluguel e virou o jogo tratando a calçada como funil.

Por Redação Goomer 18 de Agosto de 2026 - Atualizado em 18 de Agosto de 2026 11 min. de leitura
Atendente usando avental sorri enquanto oferece uma amostra de salgado em um pequeno copo a dois jovens com mochilas nas costas na calçada em frente ao seu estabelecimento. Ao fundo, pedestres caminham pela rua movimentada de uma área comercial.

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Tem um tipo de conversa que se repete em toda associação de lojistas: o dono que diz que o problema do negócio é o ponto. A rua mudou de sentido, o fluxo caiu, o vizinho fechou, o estacionamento acabou. Quase sempre é verdade, e quase sempre vira o fim da conversa. O ponto é a explicação, e explicação pronta é o lugar mais confortável para um problema morar.

A tese deste texto é a oposta. Ponto ruim não é sentença; é um problema de geração de fluxo, e fluxo pode ser construído, medido e melhorado como qualquer outro processo da operação. Fazer marketing local para restaurante não é distribuir panfleto na esperança de que alguém apareça: é montar um funil na calçada, saber quanto entra em cada etapa e mexer no que não está convertendo.

O melhor exemplo dessa virada é um caso que Denis Santini, fundador do Grupo MD e autor de "Os 7 Franquehábitos do Franqueado de Alta Performance", conta no Ingrediente Certo, o podcast da Goomer. É a história de Alberto Oyama, multifranqueado brasileiro que transformou uma operação condenada em referência de rede.

A operação em que a venda não pagava o aluguel

O ponto de partida é o pior possível. Segundo o relato, Alberto Oyama era funcionário público, saiu num programa de demissão voluntária e resolveu empreender como franqueado. A loja que abriu ficava no centro, num ponto por onde as pessoas simplesmente não entravam. O faturamento não cobria sequer o aluguel, e a conta não fechava por mais que a operação fosse bem tocada.

Nessa situação, existem dois caminhos conhecidos. O primeiro é fechar e assumir o prejuízo, decisão legítima quando o ponto é realmente inviável. O segundo é culpar o ponto e seguir sangrando, esperando que o movimento volte por conta própria. O que torna o caso interessante é que ele não seguiu nenhum dos dois: tratou a falta de fluxo como o problema a resolver, e não como a explicação para o resultado ruim.

A distinção é sutil e muda tudo. Quando o ponto é a explicação, não há o que fazer, porque o endereço não muda. Quando a falta de fluxo é o problema, existe uma pergunta operacional na mesa: como faço mais gente entrar por aquela porta? Essa pergunta tem resposta, e a resposta pode ser testada.

Vale dizer que isso não é otimismo ingênuo. Existem pontos genuinamente inviáveis, em que nenhuma ação sustenta a conta, e reconhecer isso a tempo é gestão, não derrota. A diferença está em testar antes de concluir. Muita loja é abandonada como ponto ruim sem que ninguém tenha tentado, de forma organizada, trazer gente para dentro.

A observação que virou ação

A virada começou olhando para o lado. Ele reparou que um comerciante da mesma região atraía gente oferecendo um brinde na porta: as pessoas paravam para pegar o mimo e, uma parte delas, acabava entrando. Era uma prática simples, visível na rua, e ninguém do seu segmento estava usando ali.

Em vez de reproduzir a ideia por conta própria, ele fez o que o episódio destaca como marca do franqueado de alta performance: levou a proposta à franqueadora e negociou. Conseguiu amostras grátis do produto para usar como isca e desceu para a calçada distribuir panfletos convidando as pessoas a retirar o brinde dentro da loja. O objetivo não era vender no panfleto; era fazer o cliente atravessar a porta.

Repare na precisão do objetivo. Ele não tentou explicar a marca no papel, não anunciou preço nem prometeu a melhor experiência da região. Escolheu uma única ação para o cliente executar: vir buscar algo de graça. Ação local funciona melhor quando pede uma coisa só, e quando essa coisa é fácil de fazer no caminho de quem já está passando por ali.

Denis resume o princípio que sustenta esse tipo de decisão em uma frase que atravessa o episódio inteiro:

Procure solução, não culpado.

O detalhe que separa ação local de tentativa aleatória

A parte que transforma a história em método não é a distribuição de panfletos, que qualquer um faz. É o que ele fez com o resultado. Segundo o relato, foram cerca de quinhentos panfletos distribuídos, algo em torno de cinquenta pessoas apareceram na loja para retirar o brinde e duas dessas visitas viraram venda.

Olhando de fora, o resultado parece decepcionante: quinhentos panfletos para duas vendas. E é exatamente aí que a maioria desiste, conclui que ação local não funciona e volta a culpar o ponto. A leitura dele foi outra. Duas vendas eram pouco, mas agora existia uma métrica: ele sabia quantos panfletos geravam quantas visitas e quantas visitas viravam compra. O que era achismo virou funil.

Com o funil na mão, a pergunta deixa de ser vaga e vira específica. Se distribuir o dobro, quantas visitas espero? Se a taxa de gente que entra é baixa, o problema está na mensagem do panfleto ou na abordagem na rua? Se muita gente entra e pouca compra, o problema está no que acontece dentro da loja, no atendimento ou na oferta. Cada etapa passa a ter um responsável e um ajuste possível.

Essa é a diferença entre olhar o resultado e olhar o processo. Quem olha só o resultado vê duas vendas e conclui que a ação fracassou. Quem olha o processo vê três números distintos e percebe que cada um deles responde a uma alavanca diferente. O resultado final é consequência de etapas que podem ser trabalhadas separadamente, e não um veredito único sobre a ideia.

Foi o que ele fez: melhorou a mensagem, o layout da peça, a abordagem na calçada e a conversão dentro da loja. Cada ajuste mexia num número específico do funil. O desfecho, conforme contado no episódio, é que a operação quintuplicou o faturamento, o caso virou referência na rede e ele passou a treinar outros franqueados justamente em geração de fluxo.

Por que isso funciona melhor do que divulgar por divulgar

A maior parte do que se chama de divulgação em restaurante é um gasto sem termômetro. Imprime-se material, faz-se uma promoção, publica-se um post, e no fim do mês ninguém sabe dizer o que trouxe cliente. Sem medição, não há aprendizado: repete-se o que pareceu bom e abandona-se o que pareceu ruim, sem saber qual das duas percepções era verdadeira.

Tratar a ação local como funil resolve isso com três etapas simples de acompanhar: quantas pessoas foram alcançadas, quantas apareceram e quantas compraram. Não é preciso ferramenta sofisticada. Um caderno, um contador na porta ou um código no cupom já dão o número. O que importa é que exista número, porque é ele que transforma tentativa em processo e permite melhorar a cada rodada.

Há também um ganho de previsibilidade. Quando você sabe a sua taxa de conversão, consegue estimar o retorno de uma ação antes de fazê-la e decidir se ela vale o investimento. A ação local deixa de ser aposta e vira uma alavanca que você aciona quando precisa de movimento, com margem de erro conhecida.

Isso também muda a conversa com quem está de fora. Um franqueado que chega à franqueadora dizendo que o ponto é ruim recebe solidariedade. Um que chega com o funil na mão, mostrando alcance, visitas e conversão, recebe apoio concreto, porque agora existe um problema definido para resolver junto. Foi assim, aliás, que o caso original destravou a negociação das amostras grátis.

Como montar o funil da sua ação local

  • Alcance: quantas pessoas receberam a sua mensagem, na rua, no bairro ou no digital.
  • Visita: quantas dessas pessoas efetivamente entraram na loja.
  • Conversão: quantas das que entraram compraram alguma coisa.
  • Ticket: quanto essas pessoas gastaram em média na visita.
  • Retorno: quantas voltaram depois, sem precisar de novo estímulo.

A calçada de hoje também é digital

O caso é anterior à maturidade digital do setor, e é justamente por isso que ele envelhece bem: o princípio vale independentemente do canal. O que mudou é onde fica a calçada. Hoje, boa parte da decisão de onde comer acontece antes de a pessoa sair de casa, e o equivalente moderno do panfleto é a sua presença nas buscas e nas avaliações da sua região.

Os dados do setor mostram o tamanho disso. Uma pesquisa da Abrasel em parceria com o Reclame AQUI, de 2024, indica que 63% dos consumidores preferem escolher bares e restaurantes com base nas avaliações de outros clientes, e que a avaliação é o item mais consultado antes da visita. Outro levantamento da Abrasel, de 2025, mostra que o uso do Google Perfil de Empresas entre bares e restaurantes saltou de 1% para mais de 40% em dois anos, sinal de que o setor descobriu essa vitrine recentemente.

E há uma brecha aberta. O panorama de reputação produzido pela Harmo em parceria com a Abrasel aponta que o setor brasileiro tem, em média, cerca de setenta avaliações por local, e que a taxa de resposta a essas avaliações caiu para perto de 20%. Ou seja: a maior parte dos restaurantes está presente, mas não está trabalhando o canal. Quem responde, pede avaliação com constância e mantém as informações certas ocupa um espaço que os vizinhos deixaram vago, exatamente como a calçada vazia do caso original.

O paralelo é quase literal. Naquela época, a oportunidade estava na rua por onde ninguém convidava o cliente a entrar. Hoje, ela está nas avaliações que ninguém responde e nos perfis que ninguém mantém atualizados. Em ambos os casos, o espaço não é disputado por falta de esforço dos concorrentes, e quem se dá ao trabalho ocupa sozinho.

Ponto ruim não é sentença. É um problema de fluxo, e fluxo se constrói, se mede e se melhora.

As lições que sobram para qualquer restaurante

A primeira lição é que fluxo é construído, não herdado. Um bom ponto entrega movimento de graça; um ponto ruim obriga o operador a criar o seu próprio. Isso é mais trabalhoso, mas também gera uma competência que quem só depende do endereço nunca desenvolve, e essa competência viaja com você para qualquer unidade futura.

A segunda é que ação local sem medição é gasto, e com medição é investimento. O mesmo panfleto, a mesma amostra grátis e a mesma parceria de bairro podem ser desperdício ou alavanca, dependendo apenas de existir um número acompanhando cada etapa. Medir é o que separa quem tenta de quem aprende.

A terceira é que a ação precisa ser repetível. O que fez o caso escalar não foi o dia da panfletagem, foi ter transformado aquilo num processo que outros franqueados conseguiam executar. Uma ideia genial que só funciona nas mãos do dono não sustenta uma operação e muito menos uma rede.

Na prática, o trabalho de gerar fluxo se completa quando o restaurante consegue converter e reter quem chegou. Ferramentas que organizam o pedido, dão canal próprio para a recompra e ajudam a cuidar da reputação local entram nessa última etapa do funil, transformando a visita conquistada com esforço em cliente que volta sem precisar de novo panfleto. O ponto continua sendo o mesmo; o que muda é o que você faz com ele.

Ponto ruim é problema de fluxo, e fluxo se constrói com etapa clara. As soluções de atendimento para restaurantes da Goomer transformam a visita que a ação local trouxe em pedido, pagamento e cliente que volta, fechando o funil onde ele costumava vazar. O que a calçada iniciou, a operação precisa completar.

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